quarta-feira, 19 de junho de 2013

Travessa dos Mares

O permanecer é sempre uma incógnita...como tudo o resto! 
Deduzo então que passarei parte da minha vida à deriva, já me sinto do alto do caralho a gritar com toda uma delicadeza de uma dama dos anos 30: Capitão leve-me apenas onde ninguém nunca chegou!
Ponderarei nas companhias sentimentais que levarei dentro da pele, na massa encefálica troco fotografias com pernas por mapas de diamantes, nas unhas dos pés um verniz preto, para que as unhas não se destaquem da caminhada que farei. Irei cruzar comigo,muitas vezes, já sei que não são encontros evitáveis, mas espero conhecer pessoas diferentes dentro da mesma.. e isso irá acontecer... até porque sempre achei que as uniões provêem de sintonias que nós deixamos acontecer, que alimentamos... e eu?  Adoro dar de comer as minhas feras! Quando o Diabo me dá folga o meu dia fica entediado. Fico imaginando o que sentirá ele quando não dou sinal de vida! Se o mundo é feito de loucos, eu em parte pertenço-lhe, nós pertencemos-lhe. 
Então só resta partir correcto?! O mundo já partiu e eu continuo aqui, já o mandei dar voltas e voltas, ele deu e eu fiquei! Partir, exacto!!! Partir-me, colar-me, partir quem está, colar quem queria que estivesse... retocar, restaurar, então o que resta? Partir! O caminho para a luz, nem sempre é iluminado, mas o instinto natural de quem nos acompanha é nos manter a caminhar... E mesmo só com um corpo podes sorrir para uma sombra que te irá acenar...Julgo!

Palavras ao acaso!

Porque o equilíbrio e a paz podem ser miragens ambíguas e traiçoeiras, quer dizer, são uma miragem não é?! 
Penso que foi assim que um dia me questionei, é sempre bom fazer trocadilhos com as palavras, parece que o defeito não é da pessoa, mas sim de quem criou uma linguagem traiçoeira, ou seja, de outra pessoa. Mentiras, apenas mentiras! 
O cansaço alojou-se como aquele amigo que não temos vontade de receber, mas ele repousa com os pés em cima da mesa da sala, pede uma cerveja e desbobina como um walkman movido eólica-mente ! Paz e equilíbrio  se eu confundir com o desmaio da mente, poderei contar a alguém como real?! Ou passarei pela senhora dos pássaros, ou dos gatos? Não interessa... É apenas um corpo mudo, um corpo desligado, um corpo...mais uma metamorfose para termos pena senão chegar ao fim.  Mas a paz de mente é "tresloucadamente" algo fora do que falo... essa pondero se não será algo eterno e aborrecido! Talvez! 
Temos de evoluir, temos de sorrir, temos de sei la o que... E damos por nós a fazer planos de felicidade com um sorriso puxado a milhões de músculos, damos por nós a ignorar os momentos que realmente o fomos, e sem lógica alguma recriamos o nosso jardim de sonhos, mas esse obriga'nos a sentar para o ver florir... e ai criamos uma realidade, especados a sonhar. Mais uma vez, bloqueados, iludidos, e com sementes a crescer mesmo diante de nós, e o mais importante naquele momento é que não estamos 20 anos à frente!
E vem a chuva e tapa a terra onde semeaste, mas a água espelha'te para que te relembres do que estás a ali a fazer, e tu? e eu? Cobrimos o corpo com o esquecimento, o medo que a água nos lave pode danificar todos os nossos planos baseados em nada... enquanto dos nossos pulmões poderíamos orgulhosamente gritar: 
Atravessou dilúvios, sem nunca duvidar que a sua loucura era o caminho!