quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Xadrez

Ciente de uma imagem corrompida.
A concentração do jogador, aquele que tudo sabe ou espera vencer, mesmo fingindo. A forma como agarra cada peça é desmistificante, consegue ser caracterizada como uma decisão de vida: Perder ou Ganhar!
O adversário, o expectante, o louco desvairado que não revela sua emoção, pois também ele é um furtivo. Imagina o deslizar da peça, fecha os olhos e relembra-lhe o som, cheiro do ultimo movimento, poderá ser o momento... a meta ou diversão.
Os batimentos sentem-se para não serem ouvidos, poderiam ser destabilizadores demais, com capacidade de matar, assim eles sobrevivem... como um pensador de guerra de tabuleiro, machucado mas a respirar.
Mas não sou um jogador, sou um observador. Dou voltas a uma mesa... sou um arbitro de bancada, um aspirante...um dia, um mestre... um dia, um viajante emocional, um ditador de uma realidade inexistente, um fantasiador, um servo que xinga mas não baixa a cabeça, um servo de si. Um crente que julga dominar as regras, mas que no fim abandona a sala sem nunca levar troféu.
Nem todos somos vencedores...

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Travessa dos Mares

O permanecer é sempre uma incógnita...como tudo o resto! 
Deduzo então que passarei parte da minha vida à deriva, já me sinto do alto do caralho a gritar com toda uma delicadeza de uma dama dos anos 30: Capitão leve-me apenas onde ninguém nunca chegou!
Ponderarei nas companhias sentimentais que levarei dentro da pele, na massa encefálica troco fotografias com pernas por mapas de diamantes, nas unhas dos pés um verniz preto, para que as unhas não se destaquem da caminhada que farei. Irei cruzar comigo,muitas vezes, já sei que não são encontros evitáveis, mas espero conhecer pessoas diferentes dentro da mesma.. e isso irá acontecer... até porque sempre achei que as uniões provêem de sintonias que nós deixamos acontecer, que alimentamos... e eu?  Adoro dar de comer as minhas feras! Quando o Diabo me dá folga o meu dia fica entediado. Fico imaginando o que sentirá ele quando não dou sinal de vida! Se o mundo é feito de loucos, eu em parte pertenço-lhe, nós pertencemos-lhe. 
Então só resta partir correcto?! O mundo já partiu e eu continuo aqui, já o mandei dar voltas e voltas, ele deu e eu fiquei! Partir, exacto!!! Partir-me, colar-me, partir quem está, colar quem queria que estivesse... retocar, restaurar, então o que resta? Partir! O caminho para a luz, nem sempre é iluminado, mas o instinto natural de quem nos acompanha é nos manter a caminhar... E mesmo só com um corpo podes sorrir para uma sombra que te irá acenar...Julgo!

Palavras ao acaso!

Porque o equilíbrio e a paz podem ser miragens ambíguas e traiçoeiras, quer dizer, são uma miragem não é?! 
Penso que foi assim que um dia me questionei, é sempre bom fazer trocadilhos com as palavras, parece que o defeito não é da pessoa, mas sim de quem criou uma linguagem traiçoeira, ou seja, de outra pessoa. Mentiras, apenas mentiras! 
O cansaço alojou-se como aquele amigo que não temos vontade de receber, mas ele repousa com os pés em cima da mesa da sala, pede uma cerveja e desbobina como um walkman movido eólica-mente ! Paz e equilíbrio  se eu confundir com o desmaio da mente, poderei contar a alguém como real?! Ou passarei pela senhora dos pássaros, ou dos gatos? Não interessa... É apenas um corpo mudo, um corpo desligado, um corpo...mais uma metamorfose para termos pena senão chegar ao fim.  Mas a paz de mente é "tresloucadamente" algo fora do que falo... essa pondero se não será algo eterno e aborrecido! Talvez! 
Temos de evoluir, temos de sorrir, temos de sei la o que... E damos por nós a fazer planos de felicidade com um sorriso puxado a milhões de músculos, damos por nós a ignorar os momentos que realmente o fomos, e sem lógica alguma recriamos o nosso jardim de sonhos, mas esse obriga'nos a sentar para o ver florir... e ai criamos uma realidade, especados a sonhar. Mais uma vez, bloqueados, iludidos, e com sementes a crescer mesmo diante de nós, e o mais importante naquele momento é que não estamos 20 anos à frente!
E vem a chuva e tapa a terra onde semeaste, mas a água espelha'te para que te relembres do que estás a ali a fazer, e tu? e eu? Cobrimos o corpo com o esquecimento, o medo que a água nos lave pode danificar todos os nossos planos baseados em nada... enquanto dos nossos pulmões poderíamos orgulhosamente gritar: 
Atravessou dilúvios, sem nunca duvidar que a sua loucura era o caminho! 

domingo, 3 de março de 2013

A hora

Há uma paranóia, uma ausência no ar, uma falta, um resto.
Procura-me! Sente a minha falta, como eu sinto a tua presença!
Já não te vejo, imagino-te... nos meus planos, no meu caminho.
Já nada é real, apenas sentido, desenhado!
A morte está perto, e não falo da falta de respiração...
mas da decomposição de pensamentos, de clemência para mim...

Vagabundos

Sentei-me nos pés lamacentos, deitei-me na correria louca,
levantei-me no corpo morto : Olá, não estou a viver!
A cura seria resgatada por mim, vestido de super herói de flanela.
O que é a cura? não é uma utopia dos sonhos?! Amanhã vai ser o dia, se o vir!

A distância de mim foi crescendo como uma criança, quando dei por ela, já não a via, só me lembrava...
Tudo sai triste, qualquer coisa que entra não é alegria. Como raios, podem vir a iluminar...

Já não há sentido nas frases, elas trespassam o interior, e esse, está deteriorizado, 
afogado no seu próprio sangue, no seu próprio ar... a sua suposta salvação!

Sinto-me só, mas essa faz-se um peso pelo seu excesso de companhia, sufoca-me!
Tal como as vozes, essas não se calam... e voltamos ao eco, ao terror do eco!

O nu e o cru!

Aquando  o teu olhar recair no meu sofrimento
Esperança, a minha, implora que seja tempo de não existir!
São os desejos, algo pelo qual... ou não, apenas mais uma mentira.
O resumo é curto e directo, não lhe retiro o que tem de macabro...

Já sonhei, já acordei, e ambos são tão difíceis separados
e a ironia está no facto de não saber como são juntos.
O sorriso, esse já não me é familiar, traz uma máscara, gosto mais dela que dele.
A lágrima, essa já não faz sentido, já não me lava a cara, apenas corrói.

Perdeu a piada, tudo!
Tento encontrar a graça nesta hora desencontrada,
quero viver mas não aqui.

Caí no ridículo de mim própria, cai no ridículo de não saber.
já não existem pensamentos, apenas tormentos. 
Seria do Eco, copiar esse eco...talvez a salvação esteja na cópia
na cábula, porque o "nu e cru" já provou o seu ponto de vista!

Sim, acordava e realizava! Sim, imaginava e acontecia!
Não, não, não... Eu queria, mas não podia!

Faz-me lembrar de mim, mas não o que existe.
Só aquele que idealizei,
faz-me o favor...