O amanhã chegou, mesmo sem a
graciosidade esperada, ele chegou.
Podiam não me comer? Preciso dessa
peça, já larguei tantas pelo caminho...
Não sou eu o que carrego, é apenas um
pouco de mim. Já abandonei as camadas como uma cobra, somente me
esqueci do processo seguinte. Assim já dói, assim já tenho a carne
no asfalto!
Apesar das milhares de palavras,
nenhuma serve de consolo. Elas vão me devorar.
Afirmei-me de forte, aliás fui
forte...espera, fiz-me de forte! Estou confusa, deve ser por não me
carregar mais a mim. É como ver um corpo a desvanecer-se, e nada
fazer para parar: Assim parecemos mais fortes!Quando deres por ti,
estás sentado numa rocha a queimar, e com um sorriso no rosto
contemplas um cenário gelado, onde só sabes dizer adeus.
Podemos abandonar o que nunca
construímos?
Dou de caras com um ser apático,
fingido e mal amado. O teu interior nem sempre é bonito não é?
É... realmente nem sem quem é que
carrego, mas não está belo nem gracioso... Se calhar é ânsia do
amanhã!
Vai ser sempre triste dizer adeus ao
hoje. Mesmo que estejamos muito chateados, que tenhamos gritado,
esbracejado e ofendido... vai ser sempre triste. O ultimo bater de
porta, deixa um eco no ar que relembramos a cada segundo, cada
memória vem com ditos cantados, olhares assombradas e almas
desvanecidas pelo cansaço da dor! O hoje podia ter sido diferente.
Eu era diferente hoje, amanhã terei de ser nova, para o novo que me
espera!