sexta-feira, 20 de abril de 2012

Em busca da definição

Não me recordo de nada. Tudo foi eliminado de uma forma tão pensada e meticulosa, que poderia culpar o mal. Tenho a estranha sensação que não sinto... algo de muito importante desapareceu, as palavras deixaram de ter nexo ou os sentimentos encontraram uma nova realidade. Desconheço por completo o que se passa. 
Até o sofrimento, que era tão real, agora faz parte de uma cara que apenas conheço e imito, a alegria é uma ilusão pelo qual respiro.
Quem é o ser no espelho? Deixei de reconhecer as expressões, essas tentam me dizer que algo se passou, mas tenho de descobrir por mim. Já enfrentei, eu sei que sim, senão o que significaria esta falta de tudo? Já me levantei, já fui forte, agora já conheço esta postura de cor, simplesmente tenho de a vestir mesmo quando não quero. 
Cada passo dado foi para o abismo, desde quando ele é tão aliciante? 
Afinal de olhos fechados, conseguimos ver muito mais. Somos guiados por tudo o que já sabemos, não em mentiras que decidimos acreditar. 
A loucura, essa que era sábia agora parece racional demais, banal demais, burra demais... Nem a raiva já tem coragem para assumir o seu tamanho, a coragem, essa, está no seu pico de insanidade, e o medo? Está sempre fechado no seu quarto, não fala para ninguém. E as vozes? quem me lembrou que podia ter vozes dentro da minha cabeça?
 Estou a ponderar em aceitar esta situação de corpo, apenas de corpo... se a minha mente o faz, porque é que apenas não convenço o meu coração a ficar estático?! A ter uma morte emocional... a ser espectador do mundo lá fora, esquecendo-se que um dia ele já foi feliz, e que um outro dia já esteve destruído. E não porque amou demais, não, porque se amou de menos.

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