terça-feira, 17 de abril de 2012

A mentira

É exacta a hora em que morri. 
Morrer? Expressão que nem sempre se aproxima da morte...

A culpa do inevitável, das marés que nos seguem, do vazio que nos persegue essas fazem o nosso corpo gelar... 
A morte dos vivos é vestida de dor, todo o traje nos reveste da mesma maneira, por maior que seja sua diferença. Apenas muda a nossa forma de esconder. 
A duvida do próximo é de solução fácil, a nossa para com o universo faz-nos poderosos, e aquela que nos sufoca?
Se me perder, não me encontrem... estarei chorando, desejando fardos menores com sabedoria intuitiva, talvez até promissora, estarei a sonhar.
O puzzle não tem fim, e nunca irá ter, a memória me atraiçoa ou é a melhor inimiga. Nunca me irá deixar fazer os cantos, quando quero fazer círculos, quando faço círculos. 
É por ali que tens de sair, o jardim te espera, esse que ao anoitecer se aviva de sua cicatriz, não por dor, por respostas nunca dadas que jamais terão de vir à tona. Talvez por uma espécie dela.
O puzzle, esse ficará sempre comigo, desejo mudar o que sinto por ele, não o quero incendiar de raiva, não o quero afogar em culpas injustas. Desejaria o meio termo, o sol e a lua. Um quadro com a legenda que nos tira a imaginação. 
Julgava que com a idade aprendíamos mais palavras, afinal, apenas significados de difícil compreensão. 
O tempo, o tempo, esse que agora se diz amigo e que em tempos me prendeu, me fez não sentir... Minto, não foi o tempo...
Tenho de terminar o puzzle, aquele sem fim...

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